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segunda-feira, 18 de abril de 2011

As coisas por aqui andam meio abandonadas, confesso... Mas que feche esta janela quem nunca deixou seu blog assim, meio sem graça, ao menos uma vez, quando falta saco criatividade para escrever. Bem, desculpas? à parte, vamos ao que interessa.

Muita gente que me conhece já sabe, mas como falei do processo de cidadania desde o início aqui no Blog, não posso simplesmente pular o assunto. Recebi então (no fim de Fevereiro de 2011) a confirmação de que me foi atribuída a cidadania portuguesa. Depois de muitos custos, traduções, documentos para lá, infinitas solicitações para cá, Enfim! Mas considerando o que direi no próximo parágrafo, se não fosse por frescura burocracia, até que foi um processo rápido, pois dei entrada em Abril de 2010.

A tal confirmação veio através de uma carta onde dizia que desde OUTUBRO de 2010 o meu processo havia sido aprovado. O mais interessante é que mesmo após atribuída a tal cidadania, continuam pedindo documentos, o que lhe garante enchimento de saco  um período de espera desnecessário. Juntamente com esse papel dizendo quando lhe foi concedido o pedido e bla bla bla, vem a sua nova certidão de nascimento emitida pela "Conservatória dos Registos Centrais". 

Com esta certidão de nascimento e seus antigos documentos (bilhete de identidade, cartão de contribuinte, de segurança social e cartão de residência) vai-se ao Setor Consular e solicita-se o novo cartão de cidadão, que substitui o anterior conhecido por B.I. . Depois do novo cartão de cidadão, pode-se então tirar o passaporte. 

Uma novidade para os cidadãos portugueses residentes no exterior, é a de que não se consegue receber o novo cartão de cidadão sem atribuir uma pessoa em Portugal, com residência lá, que fique como seu representante legal junto às finanças. Isso aconteceu comigo, após fazer o pedido do documento, recebi em casa uma carta das finanças, com esta orientação, que meu cartão seria liberado após regularização desta "novidade". Resumindo, se você é português e mora fora de Portugal, escolha uma pessoa com paciência para ir às finanças ou a alguma loja do cidadão, e envie uma declaração dizendo que nomeia esta pessoa como seu representante legal, por correio. Sem isso, nada de cartãozinho novo!

É isso, então nasceu a bendita cidadania, para os conhecidos já não é novidade, agora só espero não ter que arcar com a crise do meu novo País Vamos então torcer para essa crise por lá passar logo.... E ficAdica do representante para às finanças de quem reside fora do país.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dei entrada em Abril e esse mês recebi o primeiro indício de que iniciaram o meu processo através de uma carta, dizendo que não aceitaram o certificado de "registo" criminal da Irlanda, pois para eles parecia uma fotocópia. Deram-me um prazo de 20 dias úteis para conseguir e enviar um novo documento.

Então enviei uma carta com o pedido mais uma vez para Dublin, e ontem chegou a resposta com um carimbo azul no documento (eba, não parece fotocópia, só se eles pensarem que é uma cópia colorida) e o meu nome escrito "Canolina Sales Fritosa". Rio ou choro? Levei na tradutora oficial e ela falou que ia tentar adicionar uma nota, falando que eles equivocaram-se quando digitaram.

Esse foi só o primeiro obstáculo, outras pessoas que já passaram pelo mesmo processo alertaram-me  que virão novas solicitações e complicações pela frente... Claro, seria muito fácil juntar a tempo dezenas de documentos vindos do Brasil, Portugal, Irlanda e Bélgica, tudo na data de validade (3 meses) gastar uma nota e conseguir o resultado assim tão simples, né? Tem que dificultar um pouquinho...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Primeiro de tudo quero deixar bem claro que tenho excelentes amigos portugueses, além do João, e não considero o que vi ou ouvi em termos de preconceito e xenofobia, quando morava em Portugal, como uma atitude generalizada. Segundo, o país é um dos mais belos que ja tive a oportunidade de conhecer, com estações bem definidas, uma rica cultura e a melhor comida do mundo, na minha opinião. Mas vamos lá...

Quando eu trabalhava na recepção de uma conhecida rede hoteleira presenciei os seguintes fatos:

- Clientes frequentes portugueses chegam e deparam-se com a nova "rececionista", brasileira (eu):

reação 1: "- Ah, a nova "rececionista" é brasileira? Mas como me vão contratar logo uma brasileira??

reação 2: "- Ah, es brasileira? Se eu quiser uma brasileira assim como tu, vou à beira da praia com uma nota de 50 euros na vara de pescar, e pesco a brasileira que eu quiser!

reação 3: "posso ser atendido por outra "rececionista"? Não quero ser atendido pela brasileira!"

- No intervalo do almoço, no restaurante, chega uma cliente histérica gritando: "- Mas não há condições de se ficar na praia, está CONTAMINADA de tantos brasileiros!"

- Na "receção", a "colega" corrigindo meu modo de falar o tempo inteiro: "- tens que parar de falar "brasileiro"e aprender a falar "português!"

- Quando chegavam clientes brasileiros, SIM, CLIENTES, a ordem era que tinham que pagar adiantado!

- Quando chegavam clientes negros, SIM, CLIENTES, a ordem era que tinham que pagar adiantado!

- Quando saíam os clientes franceses e espanhóis, as cobras, ops, "colegas" recitavam sempre: "-odeio espanhóis ou odeio franceses!"

- Em 2006, no último Mundial de futebol no Irish Café em Lisboa, jogo Brasil X França, logo após Portugal ser derrotado pelo nosso adversário, portugueses desesperadamente torcendo pela França e contra o Brasil. Ah é? Desconto no final...

- Nos serviços públicos, depois de pegar a senha, aguardar dezenas de pessoas à frente, na hora de ser atendida, quando abria a boca e falava "brasileiro", bastava para dificultarem TUDO. Sempre diziam que faltava algum documento, algum detalhe para não resolverem nada, frustrante!

- E para fechar com chave de ouro, quando o João mudou-se para Dublin, continuei em Portugal por mais três meses enquanto a quarentena do Yoshi acabava e terminava meu contrato de trabalho. Muitas vezes ia ao telefone público para ligar para Irlanda e um belo dia, o português que passava por mim, ouvindo meu sotaque ao telefone, começou a gritar histericamente (como sempre): " - Brasileira, sua "pega"(quer dizer p-u-t-a) vai-te embora para tua terra, tu não pertences aqui, não queremos brasileiros aqui, vai-te embora "pega"... e ficou lá por um momento gritando feito louco...

Fui informar-me sobre como faria denúncia e disseram-me que teria que pagar 100 euros para dar queixa. Sem contar que depois uma notícia de que uma brasileira foi torturada pela polícia portuguesa para desmentir algo do tipo, me fez desistir da queixa.

Acho que essas atitudes xenófobas começaram muito antes... Lembro que quando fui à Portugal com minha família, tinha aproximadamente 12 anos, antecipamos as passagens para França para irmos logo embora de lá devido a alguns acontecimentos nesse sentido. E éramos TURISTAS!

Tenho muitas outras experiências do tipo, mas lembrar essas coisas me dá um gosto amargo na boca, uma inexplicável sensação de humilhação com essas atitudes sem sentido... Cheguei ao ponto de me tremer e baixar a cabeça com medo e receio do que iria ouvir antes de abrir a boca, quando precisava tratar de algo com um português. Apesar de tudo, por ironia da vida, estou à espera da minha cidadania portuguesa, por direito adquirido através do João, pois ter o "passaporte vermelho irá facilitar a minha vida na Comunidade Européia. Mas vou ser sincera no jogo de hoje: Fooooooorça Espanhaaaaaaa!!!!!!!

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